Avó de Gabriel Mascaro serviu de inspiração para crítica ao etarismo de ‘O Último Azul’

Avó de Gabriel Mascaro serviu de inspiração para crítica ao etarismo de ‘O Último Azul’

Ganhador do Urso de Prata em Berlim, filme já está em cartaz nos cinemas brasileiros

  • Por Ingresso.com

    Publicação realizada em: 29/08/2025 às 16:49

    Atualização realizada em: 29/08/2025 às 16:53

Na última quinta-feira (28), “O Último Azul”, novo longa nacional, fez sua aguardada estreia nas telonas brasileiras.

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Na trama, ambientada em um futuro quase distópico, Tereza, uma mulher de 77 anos, está prestes a ser transferida à força pelo governo para uma colônia habitacional de idosos. Contudo, antes de se render ao retiro compulsório, embarca em uma jornada através dos rios e afluentes da Amazônia para realizar seu último desejo – algo que pode mudar sua vida para sempre.

Quando questionado sobre a inspiração para o filme, o diretor e corroteirista do longa, Gabriel Mascaro (‘Boi Neon’ e ‘Divino Amor’), revelou que a ideia surgiu a partir de vivências pessoais com alguns de seus familiares mais velhos, especialmente com a avó:

“Eu cresci com pessoas mais velhas, incluindo meus pais, minhas duas avós e meu avô. Sempre cuidamos dos mais velhos juntos. Quando meu avô morreu, minha avó, com 80 anos, surpreendentemente começou a pintar. Foi interessante observá-la nesse momento de renovo. Todo mundo pensou que ela entraria em depressão, mas ela fez algo totalmente diferente. Ela desenvolveu novos desejos, uma nova existência, e buscou uma nova vida com diferentes significados e horizontes. Isso me tocou e acendeu meu desejo e pesquisa para fazer esse filme. Eu me perguntei como eu poderia ler politicamente e pensar sobre o corpo envelhecido em nossa sociedade”. [via Goether-Intitut].

Ainda sobre o tema, o cineasta reforçou a importância de colocar os idosos no centro da narrativa:

“Eu percebi uma lacuna na forma como nós representamos corpos mais velhos no presente. Eu não queria fazer um filme sobre o passado, mas sim sobre um corpo que está vivo, experimentando as contradições do presente, redescobrindo a vida. Por exemplo, em filmes distópicos, raramente vemos idosos como protagonistas. A rebelião é vista como algo para os mais jovens. Eu queria quebrar essa tradição - trazer os mais velhos para o gênero e deixar eles incorporarem a experiência de se rebelarem contra o sistema”. [via DirtyMovies].

Segundo Mascaro, a obra também reflete sobre amadurecimento em diferentes fases da vida:

“O filme mistura elementos de fantasia, distopia e até mesmo maturidade. Por que a maturidade deveria ser limitada aos adolescentes?” [via DirtyMovies].

Sobre a locação na Amazônia, o diretor destacou que o cenário precisava transmitir a emoção correta, e que sua experiência prévia na região foi fundamental para a construção da atmosfera do filme:

“A personagem precisava de situações isoladas de forma a ter suas experiências únicas. Um filme dentro de um carro ou caminhonete não seria um formato adequado para isso. Então, decidimos por um barco. Eu já era familiarizado com a Amazônia. Depois do meu treinamento, ensinei cursos sobre audiovisual em comunidades indígenas. A partir dessa experiência, eu já tinha uma ideia da Amazônia, e se tornou o lugar ideal para contar essa história”. [via Goether-Intitut].

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Produzido por Rachel Daisy Ellis e Sandino Saraiva Vinay, “O Último Azul” ganhou três prêmios na 75ª edição do Festival de Berlim, incluindo o Urso de Prata – Grande Prêmio do Júri. Com 100% de aprovação por parte da crítica do Rotten Tomatoes, o longa ainda participará da 50ª edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), que vai ocorrer de 4 a 14 de setembro, no Canadá.

Protagonizado por Denise Weinberg (‘Salve Geral’), o elenco ainda conta com a presença de outros talentos conhecidos, como Rodrigo Santoro (‘300’), Adanilo (‘Marighella’) e a atriz cubana Miriam Socarrás (‘Los Frikis’).

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  • Pamela Cordeiro
  • Pamela Cordeiro

    Assistente

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